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domingo, agosto 17, 2008

De amor ao mar e a Caymmihttp://www.youtube.com/watch?v=xRx0GooZdpc

Dia que segue pacato, preguiçoso... Que bobagem! A preguiça é minha, porque o dia é sábado, as horas têm métrica rígida e o sol, seu maestro, é intransigente.

Melhor, pois, recomeçar.

Sábado, agosto, 16, e o ano é 2008. Ora, se o mês é oito, e o dia me dá o duplo, o ano contém dois e oito... Que os numerólogos decifrem! Não há de ser este um dia aziago, pois! Mas foi neste sábado, quando o dia nascia em Copacabana, que Dorival Caymmi saudou os orixás que fizeram corte para recebê-lo do lado de lá da alvorada.

Era infante, eu, quando ouvi pela primeira vez suas canções, e hoje sou um homem recém chegado à faixa dos velhos homens. Deliciei-me a infância, a adolescência, a juventude e os anos ditos da razão com suas canções de amor e Bahia, de mar e alegria.

A preguiça minha neste sábado prendeu-me a curtir as horas. E curti-as vendo os jogos de Pequim, em regozijo com os resultados brasileiros. É, sou desses que se empolgam com as coisas brasis, sejam elas do espírito ou da carne. É que o que faz bem à carne alegra o espírito, e penso também que o caminho de volta é verdadeiro. Por isso, já morria a tarde quando vi a notícia. Preferi me aquietar em mim, agradecendo a Deus por nos ter dado um artista de tanto poder! Sim... Deus é brasileiro e deve ter nascido na Bahia. Ou beijou as terras de São Salvador para acolher gente como Dorival.

Escalei meu domingo, então: vou ouvir tudo o que tenho em casa, em CD ou em vinil, da lavra de Caymmi. É que músicas dele têm poesia-de-lei e melodia dos deuses. Ou dos santos daquela boa Bahia. E se vier na voz encorpada dele próprio, melhor ainda!

Assim, será esse o meu domingo, dia em que Dorival Caymmi, que já se mudou para o céu dos bons, muda também de endereço na terra. Ele deixa o Posto Seis de Copacabana e vai morar em Botafogo, no imenso quadrante de São João Batista.

Do lado de lá do mundo, onde o sol nasce primeiro, os moços atletas continuam seus jogos. Há brasileiros a disputar medalhas, e muito especialmente os que correm no mar. Certamente, Caymmi torce por eles.

Eles, pois, que reverenciem também o nosso poeta das canções praieiras. Afinal, ele fez o mar ficar mais bonito.

18 comentários:

Fátima Paraguassú disse...

No momento que li sobre o passamento de Dorival Caymmi, passei momentos me deliciando com sua musica promessa de pescador,tão bem interpretadas por
Mateus Sartori no yotube, e outras. Senti uma saudade como se convivesse com ele.

Anônimo disse...

Linda a sua crônica Luiz.
Beijo,
Lu

Mara Narciso disse...

É bom ouvir Caymmi, "é doce morrer no mar", e é agradável ler uma homenagem poema como essa.A morte inspirou o autor, trouxe coias melodiosas, pois que o homenageado não era de ver o lado ruim, apenas as boas coisas. Já se vai longe a fama de pouco afeito ao batente, ao expediente,mas isso é folclore.Os poetas, assim como os cantores, são algumas vezes vistos como meras cigarras da fábula. Mas são muito mais do que isso. Valha-me Deus, não sei o que seria de nós sem a visão de mundo que eles nos dão. Certamente viveríamos numa tristeza só!

tanya torres disse...

lendo e pensando,
que escrita leve...

passando a exata idéia, do jeito de viver Dorival Caymi...

parabéns!!!

Anônimo disse...

Que maravilha ler meu grande poeta escrevendo a respeito do baiano mais amado por mim e pelo Brasil.
Hoje tbém tirei o dia para ouvir e ver DORIVAL CAYMMI.
Tenho certeza de que todos os Orixás estão em festa!!!!Beijos.
Lidia Magarão.

eva maria disse...

Luiz, Dorival um grande homem e nome da nossa música. Como voce disse ele apenas trocou de bairro.

Voce está certo temos que agradecer a Deus por ter nos dado o Dorival Caymmi.

Maura disse...

HOJE ATRAVEZ DE VOCE, APRENDI A GOSTAR AINDA MAIS DE DORIVAL CAYMMI,E ME ENCANTAR UM POUCO MAIS COM ESSE MEU AMIGO LUIZ...AMEII!!! BJS

Marluzis disse...

Maravilhosa a sua homenagem ao “nosso” Dorival Caymmi. É realmente um presente dos deuses termos um artista como ele. Somos abençoados por tê-lo tido por aqui e também por podermos ler belas crônicas como esta que você escreve.

Caymmi, imagem da preguiça. Pode um homem desses, que tão grande obra nos deixou (120 músicas registradas), fora pinturas e escritos, ter essa qualificação? Nem dá para imaginar...

Ontem foi dia de alegria no céu !

Lenita Naves disse...

Luiz, boa tarde.
Sua crônica sobre Dorival Caymmi está
simplesmente linda!! Irretocável!!
Faz lembrar aquela frase de uma de suas canções: "é doce morrer no mar..."
Abração,
Lenita

Sônia Lúcia disse...

Luiz, quando li sobre a morte do Dorival Caymmi a primeira pessoa que pensei foi voce, pois, tinha certeza que logo estaria lendo esta crônica.

Abraços...

Madalena Barranco disse...

Querido Luiz, suas palavras em homenagem ao artista brasileiro da alegria e da paz são belas - elas me lembram o barulhinho nostálgico das pequenas ondas do mar: aquelas que mal se percebem, porque trazem a doçura no silêncio do sal. Beijos e tenha uma ótima semana.

Anna Cortás disse...

Que bela homenagem !
Tão singela, brejeira, sem rebuscados...
Ao mesmo tempo rica, completa, comovente.
Beijos, Anna

Anônimo disse...

Parceiro
E lá se foi uma de nossas boas referências: de artista e de bon vivant.
Se nos serve como consolo, ele ainda nos deixou Nana, Danilo, Dori e sua inesquecível obra musical.
Que o céu o receba em festa!
Beijão pra você Luiz
JM

Anônimo disse...

Parceiro
E lá se foi uma de nossas boas referências: de artista e de bon vivant.
Se nos serve como consolo, ele ainda nos deixou Nana, Danilo, Dori e sua inesquecível obra musical.
Que o céu o receba em festa!
Beijão pra você Luiz
JM

BETH disse...

Luiz
Ouvi musicas de Dorival ao ler você!
Senti-me sentada debaixo de um coqueiro ,tomando água de côco!
Relembrei também ,o meu amigo Luiz de Aquino!Há quanto tempo ,ele não escrevia assim!
Parabéns sempre!

Maria Lindgren disse...

Ótima crônica.
Um abraço da fã de Caymmi.
Maria Lindgren

Sueli do Carmo disse...

Parabéns!!!! Lindo,lindo!

Estrela da Manhã disse...

Muitos dias depois...

...Mansa e Caymmescamente parabenizo-o por sua crônica, Luiz!

De fato, não o perdemos: Ganhamos!
Herdamos, além de sua obra, sua Família!

Obrigada, Luiz!
Obrigada, Sr. Dorival Caymmi!

Soraya Vieira