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sábado, janeiro 17, 2009

A estátua de Venerando



A estátua de Venerando

 Luiz de Aquino(*)

Houve um tempo em que administrar era a arte da autoridade a qualquer preço (e muitas vezes o preço era o grito do chefe , ou do patrão, contra a dignidade individual do empregado ou subordinado). Mas o mundo passou pela Revolução Industrial, pela Primeira Guerra Mundial, pela Segunda (duas décadas após, apenas) e os avanços tecnológicos nos deram os céleres avanços das ciências..

Encontrei-me com uma bela mulher, na faixa de idade em que já se é sogra, tarimbada em artes manuais (essas a que chamamos de artesanatos) e na gestão de instituições associativas e públicas. Desde o primeiro dia deste ano, titular de uma pasta na prefeitura de importante cidade turística de Goiás. Pois bem: bastaram-lhe menos de uma semana de trabalho para detectar uma série de más ações de seu antecessor, e isso já lhe vale narizes torcidos.

Esse encontro, e a conversa de poucos minutos que mantivemos sobre a nova realidade, mostrou-me o que pode ser a razão pela qual os novos administradores (e os moços empreendedores também) recusam-se a empregar os quarentões, os cinqüentões e os ainda mais velhos: é que nós, os tais de macacos-velhos, vislumbramos com muita facilidade as coisas malfeitas (bem como as más intenções tentadas, algumas realizadas).

Certo ou não, a realidade é que pessoas com mais experiência são não-gratas nas empresas. A gente grisalha sabe demais, e isso é um perigo! Então, a estes resta o canal estreito dos concursos públicos, que já não têm mais os limites de idade, como antigamente (em 1971, fui impedido de fazer concurso para o Banco do Brasil: estava velho, aos 26 anos). Mas aos velhos, quero dizer, aos que têm mais de quarenta anos, resta também o caminho das urnas, já que não se limita idade para se disputarem eleições.

O prefeito Iris é um exemplo de persistência na política. Às vésperas de completar 75 anos, reelegeu-se prefeito de Goiânia. E o fez sob a égide da renovação de idéias e ações.  É que, desafiado e cobrado pela comunidade cultural de Goiânia, ele respondeu escolhendo para secretário da Cultura o poeta Kléber Adorno, tarimbado gestor de cultura. E o que se viu foi novidade: em nenhuma de suas gestões anteriores (uma como prefeito de Goiânia, duas como governador de Goiás) Iris realizou tanto na área cultural. É dele um récorde  que imagino difícil de se superar, que foi a publicação, de uma só vez, de 71 livros de autores locais.

Ao término do mandato anterior, Iris entregou uma verba de trezentos e cinqüenta mil reais à Academia Goiana de Letras para aquisição da casa vizinha, possibilitando a ampliação da sede; e nestas primeiras semanas do novo mandato, inaugurou, nos jardins do Paço Municipal, a estátua de Venerando de Freitas Borges, primeiro prefeito da capital. A obra de arte leva assinatura do escultor Angelos Ktenas e a iniciativa da homenagem deve-se aos acadêmicos Ubirajara Galli e José Mendonça Teles, a quem os maledicentes certamente tacharão de “ubistas”, escritores com atividade na União Brasileira de Escritores (por certo, estou entre estes; não sou mais associado, mas já presidi a UBE de Goiás, com muito orgulho).

Iris, com isso, demonstra ser um bom exemplo de administrador que se renova. Ele assegurou, e na época eu escrevi que duvidava, que resgataria suas omissões nas gestões anteriores. Referia-se a meio-ambiente e cultura. E vem fazendo-o, sim. Falha gritante aconteceu com a remoção injustificada, pela Agência Municipal de Meio Ambiente, de pouco mais de trinta ipês da Avenida 85... Vale dizer que conclamei o titular da Agência a repor as árvores; sempre imagino que pessoas que realizam grandes feitos tendem a mudar de idéia e corrigir seus erros, como Iris Rezende vem fazendo, mas o presidente da AMMA preferiu ignorar os apelos, meus e de grande parte da população, ou seja, ele não segue o chefe. Por isso, recuso-me, agora, a escrever o nome dele.

Perdoem-me por divagar, e já retomo o tema. A festa desta manhã foi impecável: cerimônia simples e bonita, que emocionou não só os filhos, netos e bisnetos de Venerando de Freitas Borges presentes ao ato, mas também todos os que tiveram o privilégio de usufruir da presença e dos ensinamentos do velho contador, professor, jornalista, prefeito, vereador, maçom, escritor, ministro (conselheiro; ao tempo dele, o cargo era “ministro”) do Tribunal de Contas do Estado e um impecável contador de causos.

Ele visitava, a curtos intervalos, o Palácio das Campinas, sede do governo municipal. Gostava de conversar com os prefeitos, e estes aproveitavam para se aconselhar com o velho mestre. Dizia ter se afastado da política, mas que voltaria a ela caso os vereadores voltassem a ser gratuitos, ou seja, não remunerados (como era antes de o tal “regime militar” resolver pagar os edis). Eu era repórter da Assessoria de Imprensa da Prefeitura e quase sempre designado para cobrir suas visitas (quando não o era, tinha a iniciativa de fazê-lo, porque gostava).

Emocionei-me, é claro! Fiquei feliz, porque vi na festa muitos resgates num só momento... Acho que já os defini bem.

 

(*) E-mail: poetaluizdeaquino@gmail.com

Um comentário:

Nathália disse...

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