Em 1963, cheguei ao Liceu de Goiânia, cursando o 1° ano do Clássico - uma das versões do Colegial, curso equivalente ao Ensino Médio de agora. Em 1969, voltei ao Liceu como professor e tive a alegria desse ofício, na minha antiga casa, por dois anos.
Este poema, escrevi-o em 2011 para a capa de um CD idealizado pelo Dr. Pedro Dimas, médico, ex-aluno, num jantar de confraternização (do Bartolomeu, do Engenheiro Pedro Vasco, também ex-aluno) dos antigos estudantes e ex-professores do Liceu naquele final de "anos 60", com músicas daquela época.
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O imponente edifício do Liceu de Goiânia (1937) |
Era um tempo de homens rudes,
mulheres doces - seres severos…
Tempo de nós muito jovens.
Sonhamos crescer, lutar... Quem sabe?
Alcançar liberdade – palavra perigosa,
vigiada e guardada a chave.
Meninos grandes de uniforme bege e branco;
jovens mestres de jaleco, pastas, livros
e giz ante o quadro escuro...
Quadro negro, quase sempre verde...
Lousa, massa e cimento
berço de textos e contas – lições.
Calça cáqui, sapatos pretos, saias medianas;
Meninas de meias brancas, muito alvas
– um rigor religioso, aquele!
No peito, a águia! Vigia solene,
asas abertas ao voo
viagem no tempo a vir!
E o sentimento de fé e sonhos. Marcamos:
– sine die, seja sábado e noite,
mas em quarenta anos (ao menos).
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Bico-de-pena por Di Magalhães |
* * *
Luiz de Aquino, moço professor de 1969-70, feliz outa vez entre
vocês!
8 comentários:
Esse poema pegou desprevenida minha alma liceana. Belo!
Em belo poema, o poeta Luiz de Aquino "pinta" o Liceu de Goiânia de seus dias (1963-1971), como aluno e, depois, professor.
Aliás, fala do Liceu de antanho, mas também do Liceu de todas as Eras, pois a fotografia que ilustra a poesia é de 1937, e o bico de pena de Di Magalhães, atemporal.
Nunca vi o Liceu tão bem retratado.
Tempo de "homens rudes e mulheres doces" é verdadeiro... forte e nostálgico ao mesmo tempo.
Os sonhos de liberdade dos jovens da geração do poeta foram forjados pelos "seres severos" que os educaram - sem pretender - para criarem asas como águias?
Nilson Jaime
Que forte as imagens das vivências poeta.
Muito lindo.
Também em mim o sino toca lembranças assim, ladeada de fragmentos saudosos dos tempos que apenas sonhávamos. O amanhã era o único desejo.
Amei poeta querido!!!
Os seus versos tornam a saudade ainda mais doce. Sorte nossa de termos um colégio e professores em nossas lembranças juvenis. Viemos dos pais, mas crescemos deles, dos professores. Tenho-os em alta conta, mesmo os não vocacionados.
Que poema magnífico!
Os meninos, as meninas, em seus uniformes, o sonho de crescer e alcançar a liberdade, em todo o lirismo e criatividade do poeta.
Lembrancas que nos salvam!
Beleza de poema em recordações do Lyceu de Goiânia, parabéns!
Poéticas descrições nas lembranças desvestidas👏🏻👏🏻👏🏻
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